sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN

O filme conta como ela é diferente, e até como todos nós também somos se olhados de perto e conta, também, como seríamos diferentes/característicos se lutássemos mais para continuar sendo nós mesmos. Digo lutássemos, pois a vida de uma libertária não é necessariamente mais fácil por ela ser assim, são nessas dificuldades que pensamos em alguns momentos de clímax do filme em que não sabemos, por exemplo, se ela conseguirá criar coragem para se apresentar para o rapaz que ela paquera. Portanto, não que seja mais fácil ou difícil sê-lo, não vamos reduzir as melhores questões da vida a isso, mas acho que é no mínimo mais digno e feliz.

Deparei-me com Kant e sua diferenciação entre pensar e conhecer. Diz que o Homem tem uma necessidade de “pensar além dos limites do conhecimento”. Pensar este que vejo mais como um criar e não um simples armazenar, como me parece ser o conhecer. Quanto ao uso da razão para Kant, que creio seja comum ao pensar e ao conhecer (não sei até que ponto o é para o filósofo), Marilena Chauí diz: “a razão, separada da sensibilidade e do entendimento, não conhece coisa alguma e não é sua função conhecer. Sua função é a de regular e controlar a sensibilidade e o entendimento”; portanto, creio que ela esteja mais relacionada ao conhecer. Já o pensar, vejo que se aproxima do que foi experienciado e, assim, traz “sensações e impressões que associamos em idéias, mas estas não são universais e necessárias, nem correspondem à realidade”, e daí provém o caráter mais idealista que racional do pensar.

Então, tomando como solução esse pensar de que fala Kant, creio que virá ao sujeito um outro passado e, como tal, este passado revelará algo que virá/chegará mesmo àqueles que somente querem a descontração e a folia, que tentam fugir dessas amarras da rotina ou àqueles que querem destruir tudo que lembre um certo passado pessoal. Quanto de mim eu descobriria numa experiência libertária dessas? Quanto mais eu pensaria, no sentido kantiano? Quanto tudo isso, toda essa experiência pessoal, seria medível? Quantos desejos antes considerados proibidos eu descobriria? Em algumas cenas Amélie vê até mesmo o filme de sua vida na televisão. Incrível sonharmos com nossa identidade trabalhada assim por cada um de nós! Imaginem. Como seríamos mais íntegros (no sentido mais elementar da palavra). Seríamos mais nós mesmos e restaria (ou haveria naturalmente como parte desse processo) tempo e capacidade para nos preocuparmos com os outros.

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