domingo, 10 de janeiro de 2010

A PARTIDA (DEPARTURES / OKURIBITO)

Trata-se da história de um homem na faixa dos 20 anos, casado, que toca violoncelo numa orquestra em Tóquio, e esta é dissolvida pelo patrocinador. Ele volta à sua cidade natal com a sua mulher e consegue um emprego no qual ganha muito bem. O que o desagrada é o novo trabalho em si: arrumar defuntos para serem cremados, numa cerimônia em que a família da pessoa morta está presente. À medida em que ele persiste no emprego, começa a perceber a importância do que faz e a dignidade de honrar os mortos em sua despedida. A morte faz parte da vida, mas muitas vezes a negamos, talvez pelo medo, talvez por estarmos ocupados demais tentando sobreviver. Quando entendemos a morte como a outra face da vida, esta toma um novo sentido. Podemos efetivamente viver – e não somente sobreviver. Geralmente a morte, principalmente de pessoas queridas, nos sacode de nossa zona de conforto, de uma forma mais ou menos intensa, provocando questionamentos sobre a vida, principalmente sobre aquelas questões que adiamos a resolução. A morte nos lembra que tudo passa, que nada é para sempre, e dá uma noção real de que o tempo anda, e não espera.

SCHOPENHAUER E A METAFÍSICA DA MORTE: a essência do homem não é sua razão, mas sim, a vontade de vida. Na morte, o que acaba é a razão, junto com as lembranças e os sentimentos de quem a possuía. A Vontade de vida é a única imortal, por isso Schopenhauer diz que devemos nos livrar dela por meio de práticas ascéticas, dando fim a este ciclo vicioso de vida, reprodução e morte.

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