domingo, 6 de setembro de 2009

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

O filme conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" — assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

A mulher do médico, embora enxergue muito bem, acaba se adaptando a um outro tipo de cegueira bastante comum. A personagem fica acostumada com a situação, assim como acontece na realidade da nossa sociedade onde as pessoas que enxergam acabam se adaptando a um tipo de cegueira social imposta à maioria. Assim, acabam aceitando viver embriagadas com as superficialidades consumistas da sociedade capitalista, se submetendo ao caos e à loucura que vivemos.

O filme é uma clara referência de uma velha discussão filosófica sobre a relação entre aparência e essência, realidade e verdade, isto é, o modo como os homens interpretam a realidade. A verdadeira aparência das coisas só se revela para a personagem central da trama. E como diz uma frase no início do livro de Saramago, a verdade se apresenta após insistentes tentativas: 'Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara'.

No filme, as barbaridades vão acontecendo até que a mulher decide tomar parte da situação e agir como quem enxerga de fato. Daí para diante, a história começa a tomar outros rumos. Quando as personagens começam a agir coletivamente, a esperança volta a reinar abrindo espaço para o futuro.

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Um comentário:

GY-chan disse...

Esse filme foi baseado no livro "Ensaio sobre a cegueira" do autor português José Saramago, que faleceu em 2010.
Assim como o livro, ele é muito bom. Para quem gostou, recomendo ler "As Intermitências da morte" também; uma excelente obra com um estilo próprio e único do autor.

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